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segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Intel planeja monopólio de mercado

A Intel fechou um acordo com a Skype para que funções avançadas de conferência usando VOIP só estejam disponíveis em certos processadores de sua linha de produtos. Usando modelos mais baratos da própria Intel, ou qualquer modelo de processador da AMD as funções de conferência estariam limitadas.

Se por um lado inexiste justificativa técnica para isso, por outro a Intel espera que isso force usuários que precisam desse tipo de serviço a comprarem máquinas baseadas em seus processadores. E a Intel tem trabalhado para que acordos desse mote sejam fechados com outras empresas de software e de integração de sistemas. O que pode criar uma visão assustadora. Um acordo como esse com a Adobe/Macromedia poderia, por exemplo, permitir que a editoração para fluxos de vídeo de alta-resolução só pudesse ser usada em máquinas com Pentium 4 e superiores, fazendo com que não houvesse opção de compra para os consumidores que desejam usar máquinas baseadas em outros modelos de CPUs.

Mais que isso, a Intel está dando um recado para o mercado: não nos importamos com padrão! Os chips para computadores da AMD obedecem ao padrão x86 (criado pela própria Intel na década de 1970). Os chips da Intel (à excessão do fracasso de vendas Itanium) também obedecem a esse padrão. Mas a Intel quer agora que softwares específicos rodem melhor em seus produtos. Em lugar de agir honestamente buscando desenvolver melhor seus produtos e conseguir vantagem sobre a concorrência pelo mérito técnico a Intel achou mais fácil subornar os fabricantes de software para que seus produtos rodassem com menos recursos na plataforma da concorrência.

Desde o lançamento do AMD AthlonXP a Intel tem tido problemas para manter seus processadores à frente da concorrência. Hoje os processadores topo de linha da AMD são mais rápidos, mais baratos, usam menos energia e ainda trabalham na metade do clock dos seus rivais fabricados pela Intel. A excessão é o mercado de portáteis, onde a Intel possui a melhor solução. Recentemente a AMD assumiu a posição de lider de tecnologia no mercado de PCs ao lançar antes da Intel processadores x86 com 64bits e com núcleo duplo. Encurralada por sua própria plataforma e suas limitações a Intel não teve outra saída a não ser apelar para o jogo sujo e usar seu peso para começar a fechar contratos de exclusividade com o ramo de software.

O Pentium 4 é considerado a pior plataforma que a Intel já desenhou em sua história. Em mesmo clock um Pentium 4 desempenha pior até que seu antecessor, o Pentium 3. Por isso o Pentium foi o núcleo escolhido para dar vida ao Pentium M (esse sim considerado um dos melhores processadores da linha Intel). Com o avanço da tecnologia da AMD ela pode lançar o Atlhon64/Opteron considerado por muitos o melhor processador do mercado para computadores de pequeno porte e servidores modulares. O Atlhon64 foi o responsável por algo até então inédito na indústria: seu set de instruções de 64bits foi adotado pela Intel para integrar a solução do Pentium/Xeon. Nunca antes a Intel precisou seguir uma de suas concorrentes diretas na plataforma x86, o que indicou que nesse segmento a AMD estaria tecnologicamente à frente da criadora da plataforma.

Sem a possibilidade de trazer ao mercado uma solução que consiga competir de igual para igual com o Atlhon/Opteron e vendo pela primeira vez suas vendas no varejo serem menores que as da AMD a Intel decidiu que o tapete corporativo precisava ser puxado. Antes que a AMD possa pensar em liderança de segmentos ou de mercado a Intel decidiu fechar acordos que façam com que software rode deliberadamente com menos benefícios nos processadores concorrentes.

Não importa se Atlhon e Pentium são ambos x86 (e compartilham muitos sets de instruções: MMX, SSE, SSE2, SSE3 e x86-64) e nem se o Atlhon é uma melhor plataforma do ponto de vista técnico: a Intel quer que software rode melhor no Pentium. Não conseguiu fazer isso melhorando seu processador, vai fazer pagando para desenvolvedores sabotarem processadores da AMD.

Que vergonha! Talvez a Intel devesse demitir alguns marketeiros e homens de negócio e contratar mais alguns engenheiros. Em lugar de fazer fiasco eles então poderiam voltar a fazer processadores.

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